Ifigénia
“O Festival Internacional de Teatro Clássico de Mérida” apresenta em Lisboa um espetáculo de Silvia Zarco, dirigido por Eva Romero, que reinterpreta tragédias clássicas sobre a violência contra mulheres na mitologia grega, com foco na morte de Ifigénia.
A morte de Ifigénia marca a primeira morte violenta de uma mulher na literatura ocidental. Agamémnon, seu pai e chefe do exército grego, estabelece as raízes da violência contra meninas e mulheres na origem da nossa civilização. Seguindo o rastro do sangue de Ifigénia, chegamos também ao sacrifício de Polixena, uma princesa troiana. A Guerra de Tróia terminou como começou: inundando o mar com sangue virgem.
Com Ifigénia, traça-se um mapa da violência contra as mulheres. Obra recém-criada, tecida a partir de três tragédias clássicas: Ifigénia em Áulis, Hécuba e Agamémnon. Hécuba e Clitemnestra, rainhas dos vencedores e dos vencidos, mães das assassinadas, carregam no ventre uma ferida selvagem que se abre. A raiva transforma-se em fúria lenta. Esta é a história das esquecidas e das suas mães condenadas.