DIPLOMACIA CULTURAL NA PENÍNSULA IBÉRICA NOS SÉCULOS XVI E XVII: MÚSICA, ARTE, TEATRO E LITERATURA

Data:
3 novembro

Fundação das Casas de Fronteira e Alorna

Largo de São Domingos de Benfica, 1

17h00

APRESENTAÇÃO E ENQUADRAMENTO

As estreitas relações entre a Coroa Portuguesa e a Coroa Espanhola, consolidadas a partir do período dos Reis Católicos, transformaram a cultura — a arte, a literatura, a música, a língua e a ciência — num elemento chave de ligação para construir pontes de confiança, entendimento mútuo e influência recíproca.

Esta Jornada de Estudo propõe-se ilustrar e debater o papel das manifestações artísticas nas relações entre Portugal e Espanha durante a Época de Ouro, destacando igualmente a ressonância e o impacto da cultura ibérica no ecossistema cultural da Europa do seu tempo.

Como encerramento do encontro, será apresentado o concerto «Alla Spagnola», um programa centrado num conjunto de traços estéticos e musicais reconhecíveis associados à cultura ibérica que tiveram grande eco no panorama europeu. Com um caráter inovador e singular, a proposta resulta de uma rigorosa investigação em arquivos europeus, demonstrando a difusão deste repertório no continente.

O concerto é organizado pela Fundação Alqvimia Musicae (FAM), instituição privada sem fins lucrativos criada em 2015 para impulsionar o envolvimento pessoal e direto com a arte através de experiências artístico-musicais. Trata-se de uma proposta interdisciplinar que alia a interpretação historicamente informada do repertório barroco à dança flamenca e às castanholas.

PROGRAMA DO EVENTO

17h00 | MESA-REDONDA E DEBATE

Coordenação:

  • José Camões (Centro de Estudos de Teatro, Universidade de Lisboa)

  • María del Valle Ojeda Calvo (Università Ca’ Foscari Venezia)

Oradores:

  • José Camões (Universidade de Lisboa)

  • María del Valle Ojeda Calvo (Università Ca’ Foscari Venezia)

  • J. Jaime García Bernal (Universidad de Sevilla)

  • Isabel Almeida (Universidade de Lisboa)

  • António Filipe Pimentel (Universidade de Coimbra)

19h00 | CONCERTO DE ENCERRAMENTO «ALLA SPAGNOLA»

Organização: Fundação Alqvimia Musicae

Direção Musical: Valerio Losito

Programa Musical

O Século XVIII e a Relação Dramática

  • Francesco Bartolomeo Conti (1681/1682 – 1732)

Ouverture de Don Chisciotte in Sierra Morena, tragicommedia

(Entrée, spiritoso e staccato · Allegro · Spiritoso e staccato) — Viena, 1719

  • Giacomo Facco (1676 – 1753)

Si cantaré, si, si (Ária de Aurora)

Amor es todo invención, Jupiter y Amphitrión — Madrid, 1721

  • Anónimo (Espanha, final do séc. XVIII)

La música es del Alma (Seguidilla a solo para canto e baixo contínuo)

Música Manuscrita, Tomo 1, Tiranas y seguidillas, Madrid, Biblioteca Nacional Ms. M/2231

O Século XVII em Nápoles, Roma e Florença

  • Andrea Falconieri (ca. 1586 – 1656)

Folias echa para mi Señora Doña Tarolilla de Carallenos (Para dois violinos e baixo contínuo)

Il primo libro di canzone, sinfonie, fantasie (...) — Nápoles, 1650

  • Anónimo Romano (meados do séc. XVII)

Arietta sobre la Follia (Para canto e baixo contínuo) — Contendean della mia Clori

Roma, Biblioteca Apostolica Vaticana, Ms. Chig.Q.VI.80

  • Anónimo (meados do séc. XVII)

Aria española (Para canto e baixo contínuo) — Adorando el fuego mio

Roma, Biblioteca Apostolica Vaticana, Ms. Chig.Q.VI.80

  • Francesco Lambardo (ca. 1587 – 1642)

Partite sopra Fidele

Londres, British Library Add. Ms. 30491

  • Cosimo Bottegari (1554 – 1620)

In Toledo una donzella

Arie e Canzoni in musica, Módena, Biblioteca Estense Ms. C.311

Consolidação no Século XVIII

  • Antonio Caldara (1670 – 1736)

Introduzione de Don Chisciotte in corte alla Duchessa

(Allegro assai · Aria) — Viena, 1727

  • Anónimo (Espanha, meados do séc. XVIII)

Un musico me enseña (Seguidilla)

Cuaderno de barias Seguidillas, Módena, Biblioteca Estense Ms. F.1634

  • Giacomo Facco (1676 – 1753)

Según Creusa siente (Ária de Alchmena)

Amor es todo invención, Jupiter y Amphitrión — Madrid, 1721

O Legado de Farinelli e a Zarzuela

  • Anónimo (Espanha, meados do séc. XVIII)

Fandango (Para violino e baixo contínuo)

Estocolmo, Musik och Teaterbiblioteket, Leuhusens samling

  • Anónimo (Espanha, meados do séc. XVIII)

Tengo yo un galanteo (Tonadilla) · No me olvides mi vida (Seguidilla)

(Para canto, dois violinos e baixo contínuo) — Estocolmo, Musik och Teaterbiblioteket

Epílogo

  • José de Nebra (1702 – 1768)

Llegar ninguno intente (Ária de Iphigenia en Tracia, Zarzuela, 1747)

 

NOTAS BIOGRÁFICAS

Mesa-Redonda

José Camões: Investigador Principal da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde lecciona no programa de pós-graduação em Estudos de Teatro No centro de Estudos de Teatro desenvolve trabalho sobre a História do Teatro em Portugal, estudos comparatistas do teatro ibérico do século de ouro e edição de teatro clássico português, produzindo ferramentas que preparam investigação nas humanidades digitais. Centra a sua actividade de investigação sobretudo nos séculos XVI, XVII e XVIII, assegurando a direcção científica de vários projectos: Como editor de teatro clássico português, tem vindo a publicar na Imprensa Nacional o teatro completo de autores portugueses do século XVI e dirige a colecção de textos dos séculos XVII e  XVIII do Centro de Estudos de Teatro. As suas áreas de investigação abrangem a História do Teatro, a Crítica Textual e as Humanidades Digitais.

  • María del Valle Ojeda Calvo:  professora catedrática de Literatura Espanhola no Dipartimento di Studi Linguistici e Culturali Comparati da Università Ca’ Foscari Venezia. Especialista na literatura e no teatro do Século de Ouro, a sua investigação centra-se no teatro do século XVI, na crítica textual e nas relações teatrais e literárias entre Espanha e Itália. Em colaboração com Mercedes de los Reyes Peña, realizou a catalogação da obra teatral de Gil Vicente e a respetiva bibliografia crítica para a edição Gil Vicente. Todas as Obras, coordenada por José Camões e publicada pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda em Lisboa (2002). Atualmente, lidera junto com Santiago Sánchez Cortés (CSIC) um inovador projeto de investigação multidisciplinar focado na análise química de tintas ferrogálicas aplicada à filologia e ao estudo de manuscritos antigos. Tem sido investigadora de diversos projetos internacionais, integra conselhos editoriais e científicos de prestigiadas revistas especializadas (como Anuario de Lope de Vega e Rassegna Iberistica) e conta com diversas edições críticas e monografias publicadas, e numerosose artigos científicos.

  • J. Jaime García Bernal: Professor Titular do Departamento de História Moderna da Universidade de Sevilha (US). Foi coordenador do Mestrado em Estudos Históricos Avançados da US. Professor convidado nas Universidades de Paris-Sorbonne, Paris-8, Universidade da Costa Rica e Toulouse Le Mirail. As suas principais linhas de investigação centram-se em: Festas e rituais no mundo hispânico; Cultura barroca; História urbana; Conexões sociais e culturais no mundo atlântico moderno. Atualmente dirige o projeto de investigação El universo humano de la Carrera de Indias (PID2022-141165NB-I00). Entre as suas publicações destacam-se os seguintes livros: Santos y santidad en el barroco iberoamericano (3 vols., com os profs. Paolo Broggio, Marcelo Fagiollo e Fernando Quiles, Università Roma Tre, 2020), La fiesta y sus lenguajes (editado com o Dr. Francisco Ollero; uhu.es, 2021), Memoria de los orígenes. El discurso histórico-eclesiástico en el mundo moderno (em coordenação com a Dra. Clara Bejarano, Sevilha, 2019), Andalucía en el Mundo Atlántico Moderno: ciudades y redes (Madrid, Sílex, 2018), Andalucía en el Mundo Atlántico Moderno: agentes y escenarios (Madrid, Sílex, 2016) (ambos codirigidos com o Dr. Juan José Iglesias) e El Fasto público en la España de los Austrias (Sevilha, EUS, 2006).

  • Isabel Almeida: Docente da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde se doutorou, sob a orientação dos Professores Aníbal Pinto de Castro e Maria Vitalina Leal de Matos, com uma tese intitulada Livros Portugueses de Cavalarias, do Renascimento ao Maneirismo (1999).  Tem privilegiado, como área de investigação, a Literatura Portuguesa dos séculos XVI e XVII, sem descurar as estreitas relações que a aproximam do universo cultural ibérico e italiano. Trabalhos sobre Gil Vicente, Camões, Fernão Mendes Pinto, Jorge Ferreira de Vasconcelos, Francisco de Holanda ou o P.e António Vieira encontram-se publicados em revistas ou volumes coletivos. Além da preparação de livros que reúnem estudos ou textos críticos de autores vários,  levou a cabo, individualmente ou em parceria, a edição de volumes como Obras de Álvaro de Brito (1997), Poesia Maneirista (1998), Os Lusíadas Comentados por D. Marcos de S. Lourenço (2014) e Os Lusíadas (2025-2026).

  • António Filipe Pimentel: Professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, é licenciado em História – variante de História da Arte (1985), mestre em História Cultural e Política da Época Moderna (1991), pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e doutor em História, especialidade de História da Arte, pela Universidade de Coimbra (2003). Em 2009-2010 dirigiu o Museu Grão Vasco, em Viseu e, entre 2010 e 2019, assumiu as funções de Diretor do Museu Nacional de Arte Antiga (Lisboa), a que corresponderam igualmente as de Subdiretor-Geral do Património Cultural. Foi coordenador científico da Candidatura da Universidade de Coimbra a Património da Humanidade UNESCO. Entre 2021 e 2026 ocupou ainda o cargo de Diretor do Museu Calouste Gulbenkian. Presentemente continua a prestar serviço na respetiva Fundação, nas funções de Consultor. Galardoado com o Prémio Gulbenkian de História da Arte 1992/94, pela obra Arquitectura e Poder, o Real Edifício de Mafra (2ª ed. Livros Horizonte, Lisboa, 2002), é académico correspondente nacional da Academia Nacional de Belas Artes, académico correspondente da Academia da Marinha e membro da Sociedade Científica da Universidade Católica Portuguesa. Colabora regularmente com instituições científicas nacionais e internacionais e conta com mais de três centenas de títulos publicados, em Portugal e no estrangeiro. Enquanto historiador, o seu trabalho incide particularmente sobre o período barroco (arquitetura, pintura, escultura e artes decorativas), bem como sobre o património da Universidade de Coimbra, ao qual dedicaria, entre outros títulos, a obra A Morada da Sabedoria. I. O Paço Real de Coimbra: das origens ao estabelecimento da universidade (Almedina, Coimbra, 2005), ou ainda sobre a Coleção Gulbenkian, a respeito da qual publicaria Director’s Choice. Museu Calouste Gulbenkian (Scala, Londres, 2023).

Elenco Artístico

  • Valerio Losito (Primeiro Violino / Viola de Amor e Direção Musical)

Violinista barroco e solista de viola de amor, diplomou-se nos Conservatórios de Santa Cecília (Roma) e Palermo. Ingressou na European Union Baroque Orchestra aos 22 anos. A sua discografia inclui cerca de cinquenta títulos dedicados a Bach, Vivaldi, Telemann e Scarlatti. Como musicólogo, destaca-se pela descoberta do motete inédito Vos invito barbarae facies RV 810 de Vivaldi. Leciona violino barroco no Conservatório de Perugia e é diretor artístico de música antiga da Fundação Alqvimia Musicae. Toca numa viola de amor construída por Ferdinando Gagliano em 1775.

  • Nerea Berraondo (Mezzosoprano)

Mezzosoprano espanhola de projeção internacional, atuou em palcos emblemáticos como o Teatro Real de Madrid, Théâtre des Champs-Élysées (Paris) e Theater an der Wien (Viena). Especializada em música antiga e barroca, colaborou com maestros como Juanjo Mena, Alan Curtis e Rafael Frühbeck de Burgos, tendo assumido também a direção artística do Festival Internacional de Música Española no Minnesota (EUA).

  • Rafael Muñoz-Torrero (Segundo Violino)

Professor catedrático de violino e concertino convidado. Colabora regularmente com formações como a Wranitzky Kapelle e a Real Orquesta Sinfónica de Sevilla, apresentando-se também como solista na Orquesta Barroca de Sevilla.

  • Aglaya González (Viola)

Violista e pedagoga, é professora catedrática no C.S.M. Manuel Castillo. Atua tanto no âmbito da música contemporânea (Klangforum Wien, Ensemble Recherche) como da interpretação histórica (Orquesta Barroca de Sevilla, La Ritirata, Le Concert Lorrain).

  • Aldo Mata (Violoncelo)

Concertista internacional e professor catedrático em Sevilha e Madrid, com apresentações na Europa, América e Ásia. Destaca-se pelo estudo da praxis histórica e pelo som expressivo no violoncelo barroco.

  • Jesús Fernández Baena (Tiorba)

Especialista em instrumentos históricos de corda dedilhada pelo Conservatório Superior de Sevilha. Apresentou-se nos principais festivais internacionais sob a direção de nomes como Frans Brüggen, Paul McCreesh e Pablo Heras-Casado, dedicando-se ativamente à investigação do Seicento italiano.

  • Javier Núñez Rivera (Cravo)

Cravista e especialista em baixo contínuo. Membro fundador do conjunto Accademia del Piacere, colabora regularmente com a Orquesta Barroca de Sevilla e outros grupos de renome. Apresenta uma destacada discografia a solo dedicada a J.S. Bach e à música italiana dos séculos XVI e XVII.

  • Carina La Debla (Percussão e Dança)

É uma versátil bailadora e bailarina residente em Sevilha há quase 30 anos, onde forjou uma linguagem própria que une a força do flamenco à dança contemporânea e expressionista. A sua identidade artística e virtuosismo levaram-na a atuar em palcos europeus de prestígio, como a Bienal de Flamenco de Sevilla, o Festival ImPulsTanz de Viena ou o Festival de Granada. Destaca-se ainda a sua faceta como concertista de castanholas e solista convidada em prestigiados conjuntos de música clássica e antiga, colaborando com formações como a Accademia del Piacere de Fahmi Alqhai, os Virtuosos de Moscovo ou o vihuelista José Miguel Moreno. Nas produções de Alqvimia, Carina acrescenta a sua elegância técnica e rigor histórico, enriquecendo a proposta tanto através do movimento como da precisão rítmica.

Beatriz Rivas (Gestão Cultural / Produção)

Doutora em Belas Artes pela Universidad de Sevilla. Artista plástica e docente, conta com uma vasta experiência na gestão de projetos e eventos culturais. Atualmente é gestora da Fundação Alqvimia Musicae, responsável pela conceção visual das "Experiências" da fundação e membro da direção do Instituto Español del Órgano Histórico.

4. ENTIDADES E INSTITUIÇÕES ORGANIZADORAS

  • Embaixada de Espanha em Portugal

  • Fundação das Casas de Fronteira e Alorna

  • Universidade de Lisboa

  • Università Ca’ Foscari Venezia

  • Universidad de Sevilla

  • Fundação Alqvimia Musicae

COM O APOIO DA FUNDAÇÃO “LA CAIXA”, EM COLABORAÇÃO COM O BPI

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Exposição: “Pão e Fio” de Sonia Navarro