Exposição “Neoprecolombianas”
Local: Casa das Galeotas. Av. da índia, 110. Lisboa.
Data: 8 de setembro a 6 de novembro 2026
A Exposição: Neoprecolombianas. Influências das estéticas originárias na arte e na arquitetura moderna e contemporânea é um projeto dedicado a pôr em destaque a influência e a permanência das estéticas originárias da América na criação artística moderna e contemporânea.
Com curadoria de Rodrigo Gutiérrez Viñuales, Catedrático de Arte Latino-Americano na Universidade de Granada e especialista em arte contemporâna na América Latina, a exposição destaca a permanência das heranças visuais ameríndias na atualidade. Depois de um percurso por várias cidades de Espanha, este projeto expositivo chega a Lisboa numa nova versão em colaboração com a Casa da America Latina. A mostra é composta por três secções, unidas pelo fio condutor da reinterpretação da arte das culturas originárias de América na contemporaniedade: Del Neo al Pop (José Manuel Ballester, Lourdes Grobet, Pablo López Luz, Mario Silva, Tatewaki Nio); Estruturas e sistemas ameríndios (Alejandro Puente); Chakanas (Candelaria Traverso)
Del Neo al Pop
Centrada na fotografia de arquitetura e, em particular, da arquitectura de raíz pre-colombiana, desde a primeira metade do século XX até à actualidade, Convergem nesta mostra um conjunto de fotografias de José Manuel Ballester, que testemunham a presença da arquitetura neopré-colombiana tanto em território espanhol como americano. No caso de Lourdes Grobet, apresenta-se parte da série NeoOlmayaztec, desenvolvida desde o início da década de 1980 em diferentes locais do México. De Pablo López Luz, integram-se duas séries, Pyramid e Neo-Inka, realizadas, respetivamente, no México a partir de 2012 e no Peru e na Bolívia a partir de 2015. De Mario Silva, apresentam-se uma seleção das obras que integraram o seu fotolivro Lords, Pyramids and Replicas (2007). Por fim, de Tatewaki Nio, exibe-se um conjunto de fotografias pertencentes às suas séries realizadas na cidade de El Alto, na Bolívia, em torno da chamada “arquitetura neoandina” e, em particular, das obras de Freddy Mamani Silvestre, a figura mais destacada desta corrente.
Estruturas e sistemas ameríndios, dedicada à produção artística de Alejandro Puente
Depois de integrar, no final da década de 1960, alguns círculos da vanguarda nova-iorquina e de participar, em 1970, em Information, a mítica exposição de arte conceitual organizada pelo MoMA de Nova Iorque, decidiu regressar à Argentina. Aí imprimiu uma viragem decisiva à sua produção, ligando-a de forma definitiva às estruturas e aos sistemas da arquitetura e das artes pré-colombianas. Considerava que esse era o caminho para construir um olhar diferente ao europeu, reafirmando igualmente a ideia de que a abstração e a arte construtiva não tinham origem nas vanguardas ocidentais, sendo antes possível encontrá-las nas culturas da antiga América.
A seleção de obras apresentada nesta exposição abrange um amplo período de produção, entre 1971 e 1996, refletindo diferentes etapas desse processo criativo.
Chakanas, centrada na produção têxtil de Candelaria Traverso
A secção Chakanas apresenta o trabalho têxtil de Candelaria Traverso (Córdova, Argentina, 1991), desenvolvido a partir das lonas plásticas que envolvem fardos de roupa provenientes de circuitos comerciais transfronteiriços entre a Argentina e a Bolívia. Estes materiais, marcados pelos percursos e pelos usos dos feirantes, são transformados pela artista em tapeçarias que reinterpretam geometrias e estruturas dos têxteis andinos.
Através desta operação formal e simbólica, Traverso estabelece uma ligação entre práticas ancestrais e dinâmicas globais contemporâneas, evidenciando a persistência e a atualidade das estéticas originárias no contexto artístico latino‑americano.